29 de dezembro de 2011
Detalhes em Ferro (I)
Detalhe da fechadura da porta lateral da igreja matriz de Cércio. Um trabalho muito bonito, preto num fundo vermelho, com alguma decoração de Natal.
13 de dezembro de 2011
12 de dezembro de 2011
27 de novembro de 2011
23 de novembro de 2011
13 de agosto de 2011
Caminada na Tierra de Miranda - Miranda-Nazo
É já no próximo dia 4 de Setembro, a Caminada na Tierra de Miranda, Miranda – Nazo.
Este é um percurso de inolvidável beleza, que vai surpreender os participantes.
A cultura, a tradição, a paisagem e a história do concelho de Miranda do Douro vão estar presentes em cada “passo”, dos caminheiros.
Para além disso, não são esquecidos os bons hábitos de saúde aliados ao passeio natureza.
As inscrições prolongam-se até ao próximo dia 31 de Agosto no Posto de Turismo de Miranda do Douro e na Casa das Quatro Esquinas.
Participe!
Programa
Hora da partida: 8h
Local da partida: Posto de Turismo de Miranda do Douro
Itinerário: Miranda do Douro – Malhadas – Nazo - Almoço- Regresso a Miranda do Douro (transporte assegurado pela autarquia)
Total do percurso: 14 km
Duração: 3 h
Conselhos úteis – calçados apropriado, roupa leve e água fresca
23 de julho de 2011
Festa de St.ª Marinha em Cércio
A festa de St.ª Marinha, em Cércio, tem uma particularidade que a distingue das restantes festas do concelho e eu quis, mais uma vez, estar presente para o comprovar.
No dia 22 realizou-se o Dia dos Caracóis. Começa já a assumir-se como uma tradição no primeiro dia das festas de St.ª Marinha, muita gente do concelho deslocar-se a Cércio para uma enorme petiscada, que tem como principal atracão os caracóis. Não deixa de ser caricato o facto de nesta região nem ser muito habitual ou tradicional comer caracóis! Quis saber mais um pouco como surgiu esta tradição.
Subsiste a crença, não sei se verdadeira, que a aldeia de Cércio se situava um pouco mais abaixo do lugar onde está hoje, junto do ribeiro, nas imediações da capela de St.ª Marinha que seria, na altura, a igreja do povoado. Certo é que, na memória dos habitantes de Cércio, está ainda bem presente a imagem da capela completamente cheia de silvas e em ruínas. A recuperação deu-se entre os anos 1993 e 1994 (e eu conheci-a em 1996). Durante alguns anos não houve comissão de festas sendo a mesma dinamizada pela Junta de Freguesia. Mais tarde juntou-se um grupo de pessoas que se responsabilizou pela realização da festa. E, foi quando essa comissão integrou algumas pessoas que residiam em Lisboa que surgiu a ideia da compra de caracóis para a realização de uma petiscada. O sucesso foi imediato e repetiu-se em anos seguintes.
Ao longo dos anos foram acrescentados novos petiscos e hoje são servidos os caracóis, bifanas, cristas, moelas, orelha de porco e caldo verde. O caldo verde apenas foi introduzido no ano passado, mas já faz parte da ementa integrando-se com os petiscos.
Foram várias centenas de pessoas que estiveram no campo de futebol da aldeia, junto da capela de St.ª Marinha para saborearem os petiscos. Eu diria que foram perto de 400 pessoas. A noite esteve agradável e muitas famílias inteiras marcaram presença, vindas dos mais variados pontos do concelho.
Infelizmente a capela de St.ª Marinha estava fechada, mas consegui que me fosse aberta a porta para fazer algumas fotografias. O facto de estar encerrada justifica-se com a necessidade de canalizar todo o pessoal disponível para servir às mesas, mas penso que ficaria bem ter a capela aberta.
É um espaço bonito, rústico, muito bem recuperado.
A principal curiosidade está no exterior. São 5 pilares de granito, de tamanhos desiguais e erigidos de forma desorganizada. São muito enigmáticos levantando muitas possibilidades quanto ao seu simbolismo. Algumas delas vão para além da idade da capela, indo até à pré-história. À quem lhe atribua o simbolismo dos 5 dedos de uma mão, todos desiguais, que estariam relacionados com a administração da justiça. Outra justificação, bem mais plausível e recente, aponta para a existência de um Cabido exterior fazendo os pilares em granito parte do suporte do telhado, que se erguia à frente da capela. Esta construção não é muito frequente no planalto mirandês, mas há muitos exemplos em Trás-dos-Montes, embora nunca se trate de pilares tão rústicos. Não posso deixar de salientar que existe algo de semelhante, aqui bem próximo, em Vila Chã da Braciosa, nas ruínas da capela da Trindade.
A festa de Santa Marinha vai ainda prolongar-se pelos dias 23 e 24 de Julho.
No dia 22 realizou-se o Dia dos Caracóis. Começa já a assumir-se como uma tradição no primeiro dia das festas de St.ª Marinha, muita gente do concelho deslocar-se a Cércio para uma enorme petiscada, que tem como principal atracão os caracóis. Não deixa de ser caricato o facto de nesta região nem ser muito habitual ou tradicional comer caracóis! Quis saber mais um pouco como surgiu esta tradição.
Subsiste a crença, não sei se verdadeira, que a aldeia de Cércio se situava um pouco mais abaixo do lugar onde está hoje, junto do ribeiro, nas imediações da capela de St.ª Marinha que seria, na altura, a igreja do povoado. Certo é que, na memória dos habitantes de Cércio, está ainda bem presente a imagem da capela completamente cheia de silvas e em ruínas. A recuperação deu-se entre os anos 1993 e 1994 (e eu conheci-a em 1996). Durante alguns anos não houve comissão de festas sendo a mesma dinamizada pela Junta de Freguesia. Mais tarde juntou-se um grupo de pessoas que se responsabilizou pela realização da festa. E, foi quando essa comissão integrou algumas pessoas que residiam em Lisboa que surgiu a ideia da compra de caracóis para a realização de uma petiscada. O sucesso foi imediato e repetiu-se em anos seguintes.
Ao longo dos anos foram acrescentados novos petiscos e hoje são servidos os caracóis, bifanas, cristas, moelas, orelha de porco e caldo verde. O caldo verde apenas foi introduzido no ano passado, mas já faz parte da ementa integrando-se com os petiscos.
Foram várias centenas de pessoas que estiveram no campo de futebol da aldeia, junto da capela de St.ª Marinha para saborearem os petiscos. Eu diria que foram perto de 400 pessoas. A noite esteve agradável e muitas famílias inteiras marcaram presença, vindas dos mais variados pontos do concelho.
Infelizmente a capela de St.ª Marinha estava fechada, mas consegui que me fosse aberta a porta para fazer algumas fotografias. O facto de estar encerrada justifica-se com a necessidade de canalizar todo o pessoal disponível para servir às mesas, mas penso que ficaria bem ter a capela aberta.
É um espaço bonito, rústico, muito bem recuperado.
A principal curiosidade está no exterior. São 5 pilares de granito, de tamanhos desiguais e erigidos de forma desorganizada. São muito enigmáticos levantando muitas possibilidades quanto ao seu simbolismo. Algumas delas vão para além da idade da capela, indo até à pré-história. À quem lhe atribua o simbolismo dos 5 dedos de uma mão, todos desiguais, que estariam relacionados com a administração da justiça. Outra justificação, bem mais plausível e recente, aponta para a existência de um Cabido exterior fazendo os pilares em granito parte do suporte do telhado, que se erguia à frente da capela. Esta construção não é muito frequente no planalto mirandês, mas há muitos exemplos em Trás-dos-Montes, embora nunca se trate de pilares tão rústicos. Não posso deixar de salientar que existe algo de semelhante, aqui bem próximo, em Vila Chã da Braciosa, nas ruínas da capela da Trindade.
A festa de Santa Marinha vai ainda prolongar-se pelos dias 23 e 24 de Julho.
23 de junho de 2011
16 de junho de 2011
Festa das Aves II - 12 de Junho
O terceiro dia da Festa das Aves tinha um programa um pouco mais "curto" e confesso que estive tentado a fazer gazeta, mas ainda bem que não o fiz. Com as surpresas com que fui brindado no dia anterior, comecei a pensar que isto de observar aves tem muito de insistência, uma vez que elas não aparecem nem quando queremos, nem onde queremos.
O programa foi ligeiramente ajustado e contou com a orientação de uma pessoa bem conhecedora do terreno. A pessoa que nos acompanhou foi José Jambas, técnico de Ambiente, com um vasto conhecimento da região e das aves do Parque Natural do Douro Internacional, onde chegou a trabalhar. Tem também o gosto pela fotografia e durante a Festa das Aves houve fotografias suas expostas no café da aldeia.
Saímos de jipe em direção a Picote, mais concretamente ao Castro de Cigaduenha. O local é fantástico e senti pena de nunca ter lá estado noutras épocas do ano, mas vou voltar de certeza. Trata-se de um castro do final da Idade do Bronze, Idade do Ferro. Além da importância histórica e arqueológica, é um miradouro sobre o Douro, comparável a muitos que se estendem ao longo do Douro Internacional. Mas não foi a arqueologia nem a paisagem que nos levou àquele lugar. Foram as aves. Além das espécies que já tínhamos avistado nos dois dias anteriores, como o Grifo (Gyps fulvus)e o Abutre do Egipto (Neophron percnopterus), havia uma grande possibilidade de observarmos cegonhas-negras (Ciconia nigra), gralhas-de-bico-vermelho (Pyrrhocorax pyrrhocorax) e ninhos de abutres.
Depois das recomendações ao silêncio e ao respeito pelo lugar, colocámo-nos junto das falésias para observarmos os rochedos do outro lado do douro, onde os grifos fazem os seus ninhos.
Com a ajuda de telescópios contámos os ninhos. Havia vários filhotes em diferentes estádios de desenvolvimento. Os mais abundantes eram os grifos, mas, de vez em quando, os britangos também apareciam, chamando a atenção com o seu porte mais reduzido mas com o seu "fato" branco alvo. A certa altura olhei para os rochedos a meus pés e via um pequeno ponto negro muito esguio, era o melro.azul (Monticola solitarius), que aparecia ao terceiro dia, só para me satisfazer. Depois de tanto tempo a procurá-lo, apareceu exatamente onde seria de esperar, nos locais mais isolados, nos rochedos mais inacessíveis. Chamou pouco à atenção, junto dos abutres e cegonhas-negras, mas eu tenho uma admiração especial pelos pássaros. O melro azul não é propriamente uma espécie que se aviste todos os dias.
Também as gralha-de-bico-vermelho se faziam ouvir, no outro lado do rio. De vez em quando um bando deslocava-se na escarpa.
O leito do rio estava anormalmente em baixo. A paisagem é admirável mas o momento não foi o mais feliz, mas fiquei muito contente por conhecer mais este miradouro.
A distância a que se deslocavam as aves não permitiu grandes fotografias, mas alguns grifos vieram espreitar sobre as nossas cabeças. Até se ouvia o ar nas suas penas! Acho que estavam curiosos.
Já depois da uma da tarde regressámos a Vila Chã da Braciosa. O almoço estava a ser preparado num parque de merendas a poucos metros da aldeia. A carne assada no churrasco acompanhada de salada foi uma boa refeição, regada a vinho verde (!) ou maduro. Ainda tive oportunidade de ouvir o grupo "Bailenga" que animou a noite de Sábado, na Casa do Povo.
Depois das despedidas, ainda tinha em mente uma passagem por Fonte de Aldeia, onde se realizada a festa da Santíssima Trindade, mas atrasei-me e acabei por não ir.
O balanço dos três dias passados em Vila Chã é muito positivo. Tirando um encontro de Birdwatching em Torre de Moncorvo, em 2008, nunca tinha participado em eventos do género. Confesso que estava a contar com mais participantes, mais festa e mais animação na aldeia. Esta ideia veio-me do filme da Festa das Aves 2010. Ao que pude apurar, o orçamento de 2011 foi bastante mais apertado. Pensei envolver mais a família no evento, mas acabei por seu o único a participar. Também contava que o evento fosse mais organizado, mas a filosofia foi um pouco diferente. A preparação e a utilização dos burros mirandeses, a participação de crianças (algumas de colo!), fizeram das saídas de campo autênticos passeios "em família". Mas valeu a pena. Utilizei pela primeira vez o Guia Fapas Aves de Portugal e Europa que comprei em 1998. Entusiasmei-me na observação das espécies embora os meus binóculos fossem muito fracos. Utilizei pela primeira vez um telescópio, é fantástico.
Fiz os possíveis com o equipamento fotográfico que tenho. A objetiva com zoom máximo de 270mm está muito à quem do necessário para a fotografia de aves. Espero ainda vir a ter um equipamento melhor.
A participação do Dr. Paulo Travassos (UTAD) foi essencial durante os três dias. Demonstrou muitos conhecimentos, muito entusiasmo e muita paciência para responder às nossas perguntas de principiantes.
Estão de parabéns a AEPGA (Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino) juntamente com a PALOMBAR (Associação de Proprietários de Pombais Tradicionais do Nordeste) e o Laboratório de Ecologia Aplicada (LEA) da UTAD (Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro). Estão também de parabéns os que confecionaram as refeições, durante os três dias do evento.
Lista de espécies que observei:
Cegonha-negra - Ciconia nigra
Melro-azul - Monticola solitarius
Gralhas-de-bico-vermelho - Pyrrhocorax pyrrhocorax
Andorinha-dáurica - Cecropis daurica
Poupa - Upupa epops
Grifo - Gyps fulvus
Britango - Neophron percnopterus
O programa foi ligeiramente ajustado e contou com a orientação de uma pessoa bem conhecedora do terreno. A pessoa que nos acompanhou foi José Jambas, técnico de Ambiente, com um vasto conhecimento da região e das aves do Parque Natural do Douro Internacional, onde chegou a trabalhar. Tem também o gosto pela fotografia e durante a Festa das Aves houve fotografias suas expostas no café da aldeia.
Saímos de jipe em direção a Picote, mais concretamente ao Castro de Cigaduenha. O local é fantástico e senti pena de nunca ter lá estado noutras épocas do ano, mas vou voltar de certeza. Trata-se de um castro do final da Idade do Bronze, Idade do Ferro. Além da importância histórica e arqueológica, é um miradouro sobre o Douro, comparável a muitos que se estendem ao longo do Douro Internacional. Mas não foi a arqueologia nem a paisagem que nos levou àquele lugar. Foram as aves. Além das espécies que já tínhamos avistado nos dois dias anteriores, como o Grifo (Gyps fulvus)e o Abutre do Egipto (Neophron percnopterus), havia uma grande possibilidade de observarmos cegonhas-negras (Ciconia nigra), gralhas-de-bico-vermelho (Pyrrhocorax pyrrhocorax) e ninhos de abutres.
Depois das recomendações ao silêncio e ao respeito pelo lugar, colocámo-nos junto das falésias para observarmos os rochedos do outro lado do douro, onde os grifos fazem os seus ninhos.
Com a ajuda de telescópios contámos os ninhos. Havia vários filhotes em diferentes estádios de desenvolvimento. Os mais abundantes eram os grifos, mas, de vez em quando, os britangos também apareciam, chamando a atenção com o seu porte mais reduzido mas com o seu "fato" branco alvo. A certa altura olhei para os rochedos a meus pés e via um pequeno ponto negro muito esguio, era o melro.azul (Monticola solitarius), que aparecia ao terceiro dia, só para me satisfazer. Depois de tanto tempo a procurá-lo, apareceu exatamente onde seria de esperar, nos locais mais isolados, nos rochedos mais inacessíveis. Chamou pouco à atenção, junto dos abutres e cegonhas-negras, mas eu tenho uma admiração especial pelos pássaros. O melro azul não é propriamente uma espécie que se aviste todos os dias.
Também as gralha-de-bico-vermelho se faziam ouvir, no outro lado do rio. De vez em quando um bando deslocava-se na escarpa.
O leito do rio estava anormalmente em baixo. A paisagem é admirável mas o momento não foi o mais feliz, mas fiquei muito contente por conhecer mais este miradouro.
A distância a que se deslocavam as aves não permitiu grandes fotografias, mas alguns grifos vieram espreitar sobre as nossas cabeças. Até se ouvia o ar nas suas penas! Acho que estavam curiosos.
Já depois da uma da tarde regressámos a Vila Chã da Braciosa. O almoço estava a ser preparado num parque de merendas a poucos metros da aldeia. A carne assada no churrasco acompanhada de salada foi uma boa refeição, regada a vinho verde (!) ou maduro. Ainda tive oportunidade de ouvir o grupo "Bailenga" que animou a noite de Sábado, na Casa do Povo.
Depois das despedidas, ainda tinha em mente uma passagem por Fonte de Aldeia, onde se realizada a festa da Santíssima Trindade, mas atrasei-me e acabei por não ir.
O balanço dos três dias passados em Vila Chã é muito positivo. Tirando um encontro de Birdwatching em Torre de Moncorvo, em 2008, nunca tinha participado em eventos do género. Confesso que estava a contar com mais participantes, mais festa e mais animação na aldeia. Esta ideia veio-me do filme da Festa das Aves 2010. Ao que pude apurar, o orçamento de 2011 foi bastante mais apertado. Pensei envolver mais a família no evento, mas acabei por seu o único a participar. Também contava que o evento fosse mais organizado, mas a filosofia foi um pouco diferente. A preparação e a utilização dos burros mirandeses, a participação de crianças (algumas de colo!), fizeram das saídas de campo autênticos passeios "em família". Mas valeu a pena. Utilizei pela primeira vez o Guia Fapas Aves de Portugal e Europa que comprei em 1998. Entusiasmei-me na observação das espécies embora os meus binóculos fossem muito fracos. Utilizei pela primeira vez um telescópio, é fantástico.
Fiz os possíveis com o equipamento fotográfico que tenho. A objetiva com zoom máximo de 270mm está muito à quem do necessário para a fotografia de aves. Espero ainda vir a ter um equipamento melhor.
A participação do Dr. Paulo Travassos (UTAD) foi essencial durante os três dias. Demonstrou muitos conhecimentos, muito entusiasmo e muita paciência para responder às nossas perguntas de principiantes.
Estão de parabéns a AEPGA (Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino) juntamente com a PALOMBAR (Associação de Proprietários de Pombais Tradicionais do Nordeste) e o Laboratório de Ecologia Aplicada (LEA) da UTAD (Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro). Estão também de parabéns os que confecionaram as refeições, durante os três dias do evento.
Lista de espécies que observei:
Cegonha-negra - Ciconia nigra
Melro-azul - Monticola solitarius
Gralhas-de-bico-vermelho - Pyrrhocorax pyrrhocorax
Andorinha-dáurica - Cecropis daurica
Poupa - Upupa epops
Grifo - Gyps fulvus
Britango - Neophron percnopterus
11 de junho de 2011
Festa das Aves II - 11 de Junho
O segundo dia da Festa das Aves começou bem cedo para mim. Depois da experiência do primeiro dia, compreendi que os horários são vagas referências pelo que poderia gerir o tempo com menos preocupação com o rigor das horas.
Deixei os binóculos na mochila e peguei na máquina fotográfica decidido a fazer um passeio pela aldeia antes de me dirigir ao lugar da concentração. Visitei vários lugares entre os quais as ruínas da capela da Trindade, a antiga escola primária e a igreja matriz. As ruínas são muito curiosas, quer pelo pórtico da capela, pelas pinturas ainda existentes no seu interior ou pelos enormes esteios em granito que me fizeram lembrar Sta. Marinha, em Cércio. Da escola primária tenho muitas recordações. Nela trabalhou a minha esposa durante alguns anos, quando ainda havia quatro ou cinco crianças a frequentá-la. Hoje é um centro de dia. À igreja voltei porque estava com melhor equipamento fotográfico e queria tentar uma melhor fotografia do seu interior.
A observação de aves começou quando me encontrava no adro da igreja, porque nessa hora o redopio de aves era enorme. Apareceu um casal de pintarroxos (Carduelis cannabina), que fizeram com que me entusiasmasse. Apareceu também um pássaro nos com o bico cheio de insectos, sobre os pináculos da igreja. Pareceu-me uma emberiza, mas estranhei o local, uma vês que me pareceu que teria ninho no telhado da igreja. Vim saber, mais tarde, que se tratava de um pardal-francês (Petronia petronia).
Nos céus voavam grupos de rapaces, com águias, milhafres mas, sobretudo, abutres.
Constituiu-se o grupo para a visita de campo, mais numeroso do que no dia anterior, e partimos em direcção ao Douro. Percorremos locais muito agrestes com formações rochosas em granito impressionantes. Connosco estava o senhor presidente da junta que nos serviu de guia. Em conversa com ele fui-me inteirando dos nomes e de um pouco da história dos lugares por onde passámos: fragas, ribeiras, moinhos, vegetação, etc. Esqueci-me das aves com o entusiasmo das histórias do Poço da Moura, o Poço da Lã, o Poço do Inferno, os Lastrões, etc. A minha vontade era encontrar o melro-azul, mas tal não chegou a acontecer. Nesta zona pedregosa apenas é digno de realce o conto dos maranteus (Oriolos oriolos) e um casal de perdizes que repousava à sombra de uma moita.
O grupo só se animou perto da uma da tarde, já de novo no planalto, junto da ribeira. Aqui apareceram várias espécies entre as quais o tal maranteu (ou papa-figos, ou ainda marigacho) e o abelharuco (Merops apiaster) que eu ainda não tinha avistado, apesar de já ter escutado. Houve um pico de entusiasmo quando passou por mim um guarda-rios (Alcedo atthis), mas poucos tivemos a sorte de o avistar.
O grupo dividiu-se continuando eu o resto do percurso sozinho, seguindo um caminho completamente diferente, em perseguição de algumas flores que me apareceram nos lameiros da Veiga. Soube que foi avistado um pato-real (Anas platyrhynchos), mas eu fiquei-me pela cegonha-branca que aí tem o seu ninho. No percurso para a aldeia esbarrei sem querer com o ninho de uma cotovia (Galerida cristata).
Já passava das duas da tarde quando almocei, por isso não reparei na ementa. À mesa estávamos mais de 30 pessoas, o que significa que o número de participantes aumentou bastante.
Depois do almoço e de uma ida ao café, fizemos uma retrospectiva das espécies observadas usando algumas fotografias que fomos tirando. Seguiu-se depois mais uma sessão de teoria sobre a identificação de rupícolas e um pequeno filme sobre a gralha-do-bico-vermelho (Pyrrhocorax pyrrhocorax).
Uma nova saída para o campo aconteceu depois das cinco e meia. Confesso que estes horários estranhos mexem um pouco comigo, e, depois de acompanhar o grupo durante algum tempo ao longo da estrada Vila Chã – Duas Igrejas, fiz aquilo que não se deve fazer, abandonei o grupo. Decidi fazer caminhar um pouco e continuei até Duas Igrejas. As condições atmosféricas não estavam adequadas para a fotografia, pelo me preocupei só com a caminhada. À minha espera em Duas Igrejas tinha o meu “carro de apoio”, que me levou de volta a Vila Chã. Ainda bem que voltei, porque me esperava o momento do dia.
Voltei à veiga para mostrar ao meu filho o ninho da cegonha-branca, com dois filhotes. Um pouco mais à frente há uma lagoa por onde já tínhamos passado no percurso da manhã. Mesmo da estrada, pareceu-me ver algo a mexer. Veio-me à ideia o juvenil de pato-real observado durante a manhã e decidi aproximar-me. Nem queria acreditar!... Não havia um filhote, mas dezenas deles, várias ninhadas com desenvolvimentos diferentes acompanhadas dos seus progenitores. Até galinhas-d’água (Gallinula chloropus) havia! Foi um momento fantástico, como eu nunca esperei viver nesta Festa das Aves.
Não fiquei para o jantar, nem para o momento musical marcado para animar a noite. A minha família também está em Miranda do Douro a ceia é para passar com ela.
Com o entusiasmo do meu encontro inesperado com os patos-reais não sei o que esperar para o último dia do encontro, mas os dois dias já passados em Vila Chã da Braciosa vão deixar muitas recordações e muita vontade de dedicar mais tempo às Aves.
Deixei os binóculos na mochila e peguei na máquina fotográfica decidido a fazer um passeio pela aldeia antes de me dirigir ao lugar da concentração. Visitei vários lugares entre os quais as ruínas da capela da Trindade, a antiga escola primária e a igreja matriz. As ruínas são muito curiosas, quer pelo pórtico da capela, pelas pinturas ainda existentes no seu interior ou pelos enormes esteios em granito que me fizeram lembrar Sta. Marinha, em Cércio. Da escola primária tenho muitas recordações. Nela trabalhou a minha esposa durante alguns anos, quando ainda havia quatro ou cinco crianças a frequentá-la. Hoje é um centro de dia. À igreja voltei porque estava com melhor equipamento fotográfico e queria tentar uma melhor fotografia do seu interior.
A observação de aves começou quando me encontrava no adro da igreja, porque nessa hora o redopio de aves era enorme. Apareceu um casal de pintarroxos (Carduelis cannabina), que fizeram com que me entusiasmasse. Apareceu também um pássaro nos com o bico cheio de insectos, sobre os pináculos da igreja. Pareceu-me uma emberiza, mas estranhei o local, uma vês que me pareceu que teria ninho no telhado da igreja. Vim saber, mais tarde, que se tratava de um pardal-francês (Petronia petronia).
Nos céus voavam grupos de rapaces, com águias, milhafres mas, sobretudo, abutres.
Constituiu-se o grupo para a visita de campo, mais numeroso do que no dia anterior, e partimos em direcção ao Douro. Percorremos locais muito agrestes com formações rochosas em granito impressionantes. Connosco estava o senhor presidente da junta que nos serviu de guia. Em conversa com ele fui-me inteirando dos nomes e de um pouco da história dos lugares por onde passámos: fragas, ribeiras, moinhos, vegetação, etc. Esqueci-me das aves com o entusiasmo das histórias do Poço da Moura, o Poço da Lã, o Poço do Inferno, os Lastrões, etc. A minha vontade era encontrar o melro-azul, mas tal não chegou a acontecer. Nesta zona pedregosa apenas é digno de realce o conto dos maranteus (Oriolos oriolos) e um casal de perdizes que repousava à sombra de uma moita.
O grupo só se animou perto da uma da tarde, já de novo no planalto, junto da ribeira. Aqui apareceram várias espécies entre as quais o tal maranteu (ou papa-figos, ou ainda marigacho) e o abelharuco (Merops apiaster) que eu ainda não tinha avistado, apesar de já ter escutado. Houve um pico de entusiasmo quando passou por mim um guarda-rios (Alcedo atthis), mas poucos tivemos a sorte de o avistar.
O grupo dividiu-se continuando eu o resto do percurso sozinho, seguindo um caminho completamente diferente, em perseguição de algumas flores que me apareceram nos lameiros da Veiga. Soube que foi avistado um pato-real (Anas platyrhynchos), mas eu fiquei-me pela cegonha-branca que aí tem o seu ninho. No percurso para a aldeia esbarrei sem querer com o ninho de uma cotovia (Galerida cristata).
Já passava das duas da tarde quando almocei, por isso não reparei na ementa. À mesa estávamos mais de 30 pessoas, o que significa que o número de participantes aumentou bastante.
Depois do almoço e de uma ida ao café, fizemos uma retrospectiva das espécies observadas usando algumas fotografias que fomos tirando. Seguiu-se depois mais uma sessão de teoria sobre a identificação de rupícolas e um pequeno filme sobre a gralha-do-bico-vermelho (Pyrrhocorax pyrrhocorax).
Uma nova saída para o campo aconteceu depois das cinco e meia. Confesso que estes horários estranhos mexem um pouco comigo, e, depois de acompanhar o grupo durante algum tempo ao longo da estrada Vila Chã – Duas Igrejas, fiz aquilo que não se deve fazer, abandonei o grupo. Decidi fazer caminhar um pouco e continuei até Duas Igrejas. As condições atmosféricas não estavam adequadas para a fotografia, pelo me preocupei só com a caminhada. À minha espera em Duas Igrejas tinha o meu “carro de apoio”, que me levou de volta a Vila Chã. Ainda bem que voltei, porque me esperava o momento do dia.
Voltei à veiga para mostrar ao meu filho o ninho da cegonha-branca, com dois filhotes. Um pouco mais à frente há uma lagoa por onde já tínhamos passado no percurso da manhã. Mesmo da estrada, pareceu-me ver algo a mexer. Veio-me à ideia o juvenil de pato-real observado durante a manhã e decidi aproximar-me. Nem queria acreditar!... Não havia um filhote, mas dezenas deles, várias ninhadas com desenvolvimentos diferentes acompanhadas dos seus progenitores. Até galinhas-d’água (Gallinula chloropus) havia! Foi um momento fantástico, como eu nunca esperei viver nesta Festa das Aves.
Não fiquei para o jantar, nem para o momento musical marcado para animar a noite. A minha família também está em Miranda do Douro a ceia é para passar com ela.
Com o entusiasmo do meu encontro inesperado com os patos-reais não sei o que esperar para o último dia do encontro, mas os dois dias já passados em Vila Chã da Braciosa vão deixar muitas recordações e muita vontade de dedicar mais tempo às Aves.
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