No dia 24 de Dezembro é habitual em Miranda do Douro fazer a tradicional fogueira do galo. Logo pela manhã, os jovens mirandeses partem acompanhados do seu farnel, para o monte, a fim de cortar, carregar e transportar a lenha, nos típicos carros de bois para o adro da Sé.
Depois dos carros carregados, faz-se uma pausa para saborear os tradicionais petiscos que compõem o farnel; bacalhau cru, alheiras, chouriças, chouriços, presunto e carne assada. Tudo isto acompanhado de bom pão e vinho tinto. O fim da tarde aproxima-se e os mordomos organizam a partida para a cidade. Os carros de lenha são puxados por todos os rapazes que participam alegremente nesta festa. A sua passagem pelas ruas atrai a atenção de toda a população e em especial dos turistas que aproveitam para tirar fotografias.
Chegados ao adro da Sé, descarregam a lenha num amontoado de pneus e troncos de árvores já para aí transportados por um camião.
Tiradas as usuais fotografias no escadario da Sé, a mocidade regressa a casa para em família fazer a tradicional ceia da Consoada.
No início da noite, a fogueira é acesa, sem que ninguém dê conta de quem a acendeu.
Por volta da meia noite os sinos tocam para a missa do galo. Toda a população comparece nesta missa, para ver a fogueira, o presépio, beijar o menino e entretanto ouvir os rapazes cantar as interessantes versões das tradicionais canções do beijai o menino.
Terminada a missa, as pessoas reúnem-se à volta da fogueira, num cordial convívio de Natal e troca mútua de votos de Boas Festas.
6ºA - Português
EB2 de Miranda do Douro, 1998
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8 de janeiro de 2014
4 de janeiro de 2014
Vila Chã - Festa do Menino
No dia um de janeiro de 2014 teve lugar em Vila Chã da Braciosa a Festa do Menino, mais conhecida pela Festa da Velha. No corrente ano não me foi possível estar presente. Em 2013 passei o dia primeiro de janeiro em Vila Chã, onde tenho alguns amigos e pude acompanhar o que se foi passando ao longo do dia.
A primeira curiosidade deste festa manifesta-se logo na designação: festa do Menino ou festa da Velha (ou dança da Velha). Nestas duas designações confrontam-se duas realidades bem distintas o religioso e o pagão. Os estudiosos atribuem a origem da vertente pagã ao culto da fertilidade e a cerimónias de iniciação. Aliás o nordeste Trasmontano é fértil nestas celebrações, havendo manifestações com algumas linhas comuns no concelho de Mogadouro, nomeadamente em Bemposta e Tó.
A cristianização desta e doutras manifestações pagãs deve ter acontecido de forma espontânea, com integração gradual dos elementos religiosos nas celebrações existentes. Curiosamente ainda hoje a integração respeita certas fronteiras, como por exemplo o fato da Velha não entrar na igreja e a Bailadeira entrar!
A festa começa antes do dia 1 de janeiro, normalmente no dia de Natal. Os mordomos, um rapaz e duas raparigas, todos solteiros, convidam a população para irem cortar lenha destinada à fogueira que será acesa no dia no dia da Festa do Menino, a 1 de janeiro. A lenha seria trazida em carros de bois puxados pela força dos braços dos rapazes, um pouco como ainda acontece em Miranda do Douro com a lenha da Fogueira do Galo.
Em Vila Chã a lenha já é transportada por tratores, mas, mesmo assim não deixa de ser uma festa, finalizando com um farta refeição no salão (com cozinha) que a freguesia já dispõe.
Nos dias seguintes ensaia-se o trio que que estará no centro da festa: a Velha, o Bailador e a Bailadeira, todos rapazes. Parece-me que não são necessários muitos ensaios, uma vez que este papel é representado pelas mesmas pessoas durante vários anos, mas há sempre necessidade de ir "passando o testemunho" aos mais jovens.
Ao contrário doutras manifestações do género, a Velha não usa máscara, antes apresenta a cara e as mãos tisnadas com cortiça queimada. Usa ao pescoço uma cruz da mesma cortiça queimada, presa num colar de bugalhos, com que tisna as pessoas avarentas que não contribuem com esmola e as moças solteiras.
A par da vestimenta, única e muito interessante, onde se destacam as franjas e as rendas brancas, transporta uma "bota" cheia de vinho, na mão esquerda uma estaca de pau onde vai pendurando as peças de fumeiro que lhe são dadas e na direita traz uma bengala com algumas bexigas de porco cheias de vento na extremidade. Ao ar assustador de toda a vestimenta e às bexigas cheias de ar, juntam-se os gritos assustadores que solta de quando em quando, assustando os mais pequenos, sem no entanto haver qualquer violência.
A Velha é acompanhada no peditório que é feito pela aldeia, de porta em porta, pela Bailadeira e pelo Bailador, este último vestido com o traje habitual de um pauliteiro de Miranda, munido de castanholas para acompanhar a música. A Bailadeira tem o seu traje antigo de mulher, ostentando também um chapéu de pauliteiro sobre um lenço chinês e transportando duas conchas para tocar ao ritmo da música.
O peditório inicia-se depois da alvorada. Além dos três personagens e dos mordomos que levam alforges ou sacos para recolherem o que lhes for oferecido, dinheiro ou géneros, seguem os músicos. O trio dança a cada porta a "dança da bicha", que é tocada por um conjunto de tamborileiros mirandeses, gaita, caixa e bombo. Também são lançados foguetes, animam a festa e vão dando sinal do posicionamento na aldeia do grupo.
Achei curioso o facto de cada uma das três personagens guardar o sua própria esmola, havendo uma certa concorrência para ver quem juntava mais dinheiro. Só me apercebi disso depois de ter sido "obrigado" a contribuir, "ameaçado" pela Velha, a quem entreguei toda a minha esmola.
O peditório dura toda a manhã. Ao início da tarde celebra-se a missa, mas só a Bailadeira pode assistir, tirando o chapéu e cobrindo-se com o lenço e um xaile. A Velha e o Bailador ficam fora do adro da igreja e esperam que termine a missa seguida de procissão com o Menino em torno da igreja.
Finda a procissão, juntam-se os três no adro da igreja e dançam a "bicha" para alegria de toda a população que se junta para o leilão dos géneros recolhidos. O que sobra de pão, carne e vinho é para uma ceia colectiva.
Mais tarde a população junta-se em volta da fogueira a que é ateado fogo. A festa continua com baile animado pela noite dentro.
A primeira curiosidade deste festa manifesta-se logo na designação: festa do Menino ou festa da Velha (ou dança da Velha). Nestas duas designações confrontam-se duas realidades bem distintas o religioso e o pagão. Os estudiosos atribuem a origem da vertente pagã ao culto da fertilidade e a cerimónias de iniciação. Aliás o nordeste Trasmontano é fértil nestas celebrações, havendo manifestações com algumas linhas comuns no concelho de Mogadouro, nomeadamente em Bemposta e Tó.
A cristianização desta e doutras manifestações pagãs deve ter acontecido de forma espontânea, com integração gradual dos elementos religiosos nas celebrações existentes. Curiosamente ainda hoje a integração respeita certas fronteiras, como por exemplo o fato da Velha não entrar na igreja e a Bailadeira entrar!
A festa começa antes do dia 1 de janeiro, normalmente no dia de Natal. Os mordomos, um rapaz e duas raparigas, todos solteiros, convidam a população para irem cortar lenha destinada à fogueira que será acesa no dia no dia da Festa do Menino, a 1 de janeiro. A lenha seria trazida em carros de bois puxados pela força dos braços dos rapazes, um pouco como ainda acontece em Miranda do Douro com a lenha da Fogueira do Galo.
Em Vila Chã a lenha já é transportada por tratores, mas, mesmo assim não deixa de ser uma festa, finalizando com um farta refeição no salão (com cozinha) que a freguesia já dispõe.
Nos dias seguintes ensaia-se o trio que que estará no centro da festa: a Velha, o Bailador e a Bailadeira, todos rapazes. Parece-me que não são necessários muitos ensaios, uma vez que este papel é representado pelas mesmas pessoas durante vários anos, mas há sempre necessidade de ir "passando o testemunho" aos mais jovens.
Ao contrário doutras manifestações do género, a Velha não usa máscara, antes apresenta a cara e as mãos tisnadas com cortiça queimada. Usa ao pescoço uma cruz da mesma cortiça queimada, presa num colar de bugalhos, com que tisna as pessoas avarentas que não contribuem com esmola e as moças solteiras.
A par da vestimenta, única e muito interessante, onde se destacam as franjas e as rendas brancas, transporta uma "bota" cheia de vinho, na mão esquerda uma estaca de pau onde vai pendurando as peças de fumeiro que lhe são dadas e na direita traz uma bengala com algumas bexigas de porco cheias de vento na extremidade. Ao ar assustador de toda a vestimenta e às bexigas cheias de ar, juntam-se os gritos assustadores que solta de quando em quando, assustando os mais pequenos, sem no entanto haver qualquer violência.
A Velha é acompanhada no peditório que é feito pela aldeia, de porta em porta, pela Bailadeira e pelo Bailador, este último vestido com o traje habitual de um pauliteiro de Miranda, munido de castanholas para acompanhar a música. A Bailadeira tem o seu traje antigo de mulher, ostentando também um chapéu de pauliteiro sobre um lenço chinês e transportando duas conchas para tocar ao ritmo da música.
O peditório inicia-se depois da alvorada. Além dos três personagens e dos mordomos que levam alforges ou sacos para recolherem o que lhes for oferecido, dinheiro ou géneros, seguem os músicos. O trio dança a cada porta a "dança da bicha", que é tocada por um conjunto de tamborileiros mirandeses, gaita, caixa e bombo. Também são lançados foguetes, animam a festa e vão dando sinal do posicionamento na aldeia do grupo.
Achei curioso o facto de cada uma das três personagens guardar o sua própria esmola, havendo uma certa concorrência para ver quem juntava mais dinheiro. Só me apercebi disso depois de ter sido "obrigado" a contribuir, "ameaçado" pela Velha, a quem entreguei toda a minha esmola.
O peditório dura toda a manhã. Ao início da tarde celebra-se a missa, mas só a Bailadeira pode assistir, tirando o chapéu e cobrindo-se com o lenço e um xaile. A Velha e o Bailador ficam fora do adro da igreja e esperam que termine a missa seguida de procissão com o Menino em torno da igreja.
Finda a procissão, juntam-se os três no adro da igreja e dançam a "bicha" para alegria de toda a população que se junta para o leilão dos géneros recolhidos. O que sobra de pão, carne e vinho é para uma ceia colectiva.
Mais tarde a população junta-se em volta da fogueira a que é ateado fogo. A festa continua com baile animado pela noite dentro.
29 de setembro de 2013
Festas de Miranda - Fotografias I
Conjunto de fotografias da procissão das festas em honra de Santa Bárbara, dia 18 de Agosto, em Miranda do Douro.
16 de março de 2012
Pauliteiros de Malhadas
Pauliteiros de Malhadas junto à igreja Matriz, em dia de festa de S. Bárbara.
15 de março de 2012
Na Praça
Grupo de Sendim, em Miranda do Douro, à espera da hora certa para a sua atuação.
Junto à Câmara Municipal.
Junto à Câmara Municipal.
31 de maio de 2011
Em Malhadas
No Sábado passado à tarde, à passagem por Malhadas encontrei este simpático grupo. Após a fotografia, em parte consentida, em parte "forçada", surgiu uma interessante conversa a respeito da forma de dançar dos Pauliteiros. É importante que cada grupo, que corresponde normalmente a uma aldeia, mantenha a sua identidade, traduzida na forma de dançar, uma vez que os trajes são muito semelhantes (com raras excepções).
Já tenho saudades de ver dançar os Pauliteiros, mas, estou em crer que no próximo Verão terei várias oportunidades para os apreciar.
Até lá deixo de novo um vídeo que fiz em Malhadas, nas festas de Santa Bárbara em 2009.
Já tenho saudades de ver dançar os Pauliteiros, mas, estou em crer que no próximo Verão terei várias oportunidades para os apreciar.
Até lá deixo de novo um vídeo que fiz em Malhadas, nas festas de Santa Bárbara em 2009.
27 de maio de 2009
A simpatia mirandesa
Aqui vemos um retrato de um amigo mas também uma boa amostra da simpatia mirandesa. Não vi muitas vezes ramos destes, em Miranda do Douro, mas vim encontrá-los em Vila Flor, cheios de alheiras dependuradas. Era usado para pendurar o fumeiro quando cantavam os Reis /ainda o usam).Um abraço Mourinho (extensível a Sendim).
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